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08/06/2015 09:44

 

 

    Frequento estádios de futebol, o Beira-Rio especialmente, desde 1979. A minha memória mais remota é aquela semifinal Inter 1x1 Palmeiras, no ano citado a pouco. Fui a muitos jogos, GreNal foram vários. Presenciei todo tipo de resultado, de goleadas a favor e contra, empates com gols, empates sem gols. Neste tempo todo vi raros momentos de violência, sim raros, posso afirmar que cabem em uma página ou menos de texto.

    Entre as reclamações dos clubes de futebol sempre esteve a violência nos estádios e a questão financeira. Ouvi a cantilena de sofrimento desde sempre, “Estão expulsando as famílias dos estádios”, “Os clubes gastam mais do que arrecadam”, “A bolha dos grandes salários vai estourar”, foram/ e são algumas das frases que sempre se ouvi/ouve das mais variadas formas.

    Em determinado momento veio o advento que reúne as seleções do mundo todo em um só lugar: A Copa do Mundo no Brasil.

    A Copa do Mundo surgiu como justificativa para que clubes reformassem seus estádios, construíssem estádios novos, enfim para termos novos palcos para que nossos craques desfilassem seus talentos.

    Os clubes foram à busca de investidores, patrocinadores para que realizassem seus estádios. A esperada mudança de nível foi materializada de tal forma que os estádios novos receberam uma nova denominação: Arena.

    A partir de agora, teremos pelo país, espalhadas inúmeras Arenas. Estas novas praças, de nível europeu, tem um custo elevado. E, a partir desta nova concepção surge a ideia de que teríamos a redenção do futebol brasileiro, “Finalmente teremos o retorno das famílias, um novo tempo.” Só faltou dizerem “Finalmente aquela gente não virá mais aos estádios.”

Veio a Copa, os estádios (novos em folha ou reformulados) foram inaugurados e os ingressos, claro, majorados. Porém, o que se guarda neste histórico das “novas torcidas” são momentos de constrangimento alheio. Se, na abertura da Copa fomos presenteados com uma plateia grosseira, que ofendeu a presidenta, em uníssono agora, temos uma nova mania. Nos estádios paulistas, a torcida local ofende o goleiro adversário sempre que este cobra o tiro de meta. E, no jogo Brasil x México – realizado no Allianz Parque (estádio do Palmeiras) – os paulistas sublimaram: ofenderam ambos os goleiros.  Em que essa atitude acrescenta?

    E estes novos estádios são caros, necessitam que os clubes busquem recursos, das mais variadas formas. E, neste momento, entram os “naming rights”, os direitos de nome que os clubes poderiam vender para marcas famosas dos mais diversos setores. As direções do clubes sonhavam com milhões de dólares, com a facilidade de vender estes espaços, afinal, “irá aparecer nas transmissões” e o “futebol movimenta milhões de reais e é o esporte nacional”. Mas, não foi o que ocorreu.

    O que se sabe é que apenas duas Arenas conseguiram a cessão ou venda do nome para empresas: a Kyocera Arena, do Atlético Paranaense e a Allianz Parque , do Palmeiras. Porque isso? Por uma razão bem simples, a Globo/Sportv, detentora dos direitos de transmissão dos jogos, sequer cita o nome das Arenas, a Kyocera Arena vira “Arena da Baixada” ou “Arena do Atlético Paranense” e o “Allianz Parque”, vira “Arena do Palmeiras”. É assim que querem que as empresas comprem os “naming rights” dos novos estádios?

    Este mesmo fenômeno é observado nas transmissões do NBB – Novo Basquete Brasil  e na SuperLiga de Volêi. A impressão que fica é que são campeonatos disputados por prefeituras. “Hoje temos Rio de Janeiro contra Osasco”, bem assim, se citar os anunciantes de cada time. Uma vergonha! É muito amadorismo. Se continuarem assim, que não venham reclamar da falta de patrocínio.

    Era isso,

Ulisses B. dos Santos.

@prof_colorado