Sobre o Inter de Aguirre...

24/04/2015 15:00

 Aguirre e a transformação do time...

 

 

 

    No momento em que Diego Aguirre começou a fazer o “rodízio” de jogadores foram muitas as críticas e a maior delas era que os resultados aconteciam a despeito do desempenho. Aguirre acreditava que um dia ele conheceria os jogadores e o futebol do time seria aquele que ele esperava.

    Este dia parece ter chegado.

    Se, na quarta-feira passada, o time titular da Libertadores jogou um futebol em uma noite exuberante, de encher os olhos, hoje, na semi-final do Gauchão, o time titular do Gauchão desenvolveu, rigorosamente, o mesmo futebol.

    Uma das características que mais admiro em um time de futebol é a posse de bola. Sou adepto da teoria que quanto mais o time tem a posse da bola, menos o adversário tem tempo para chegar ao gol. Parece óbvio. Se o adversário está “fechado em copas”, com os 11 atrás da linha da bola em frente a área, o time deve tocar a bola, nem que vá até a linha de fundo de ataque e retorne até o goleiro e assim recomece tudo de novo. A intenção disso? Fazer com que o adversário, em dado momento, abra a defesa e com isso saia o gol. Um ingrediente importante chama-se paciência. Sem ela não é possível fazer o que eu escrevi a pouco.

    Depois deste tanto de teoria, algumas linhas sobre o Inter de hoje.

    Tanto no primeiro tempo quanto no segundo, vimos um jogo no melhor estilo “ataque contra defesa”: era o ataque colorado contra a defesa xavante. E aqui, um registro todo especial ao goleiro adversário: não fosse a cera descarada feita pelo Eduardo Martini, somada às suas defesas e o resultado teria sido 5,6 ou mesmo 7 a 0. E isso não seria nenhum exagero. A torcida Xavante mostrou que é muito boa antes do jogo...canta. grita, xinga, enfim, faz muito barulho. Por que assim que inicia o jogo, o silêncio chega a ser constrangedor.

    Já o time do Inter titular para o Gaúchão jogou muito bem. Teve um time que, na média, todos os jogadores desenvolveram um excelente futebol. Pra mim, o único que destoou foi Alan Ruschel, parece que o futebol dele é esse mesmo. De resto, tivemos em Alan Costa, um zagueiro pronto, em Alex a categoria de sempre, em Anderson uma qualidade de passe, que todo o Estado conhece – seu maior problema é a preparação física, que chega, num ponto do jogo, que ele reduz o ritmo até parar. Mas acredito que está numa curva ascendente. Lisandro Lopes mostrou a qualidade que todos já nos acostumamos.

    Agora é necessário fazer um texto todo especial para este jogador que vem, jogo a jogo – e isso, desde o ano passado – mostrando um futebol e uma maturidade que faz com tenhamos nele a certeza que um dia tivemos no Alexandre Pato: joga a bola nele que sempre sai coisa boa. É claro que estou escrevendo sobre Valdívia – o que joga, não o que pensa que joga – além de já estar em alto nível no primeiro tempo,  parece que deixou para o segundo tempo a consagração: um lançamento de 40 metros para o primeiro gol do jogo– notem que a bola, ao dar o segundo quique no gramado, volta para Alex completar para as redes; o seu gol foi uma demonstração do nível que atingiu, pois ao receber o passe deixa a bola passar para ficar “a feição”, enquadra o corpo e chuta com o lado de dentro do pé direito com um efeito e tanto. O terceiro gol, do Rafael Moura, teve seu início em um passe de trivela, a partir do meio de campo, de Paulão. Um passe de cinema. Fiquei impressionado quando vi. Só pelo passe já merecia terminar em gol aquele lance. Ainda bem que foi assim.

    Agora, o que temos são dois clássicos GreNal para definir o campeão de 2015. E sobre essas finais vou ficar no óbvio: não há favorito. Ambos times estão jogando muito bem.

 

Por isso, é VAMO, VAMO INTER!!!

 

Ulisses B. dos Santos

@prof_colorado