Não, o racismo não é algo normal...

18/11/2014 11:11

 

        A dupla GreNal, muito mais do que pelos resultados, adquiriu destaque neste ano por questões extra-campo. O Inter pelo seu estádio sede de jogos da Copa do Mundo. O Grêmio por estar, faz tempo, com dois “meio-estádios” Meio-Estádios? Sim, A Arena AINDA não é de todo do Grêmio, ninguém sabe explicar o imbróglio em que tornou-se a negociação entre Grêmio e OAS. Ora avança, ora para, ora retrocede e o Olímpico JÁ NÃO É mais todo do Grêmio. Mas sobre isso, não sai uma linha da imprensa isenta.

    E neste 2014, o que mais destacou-se no futebol da dupla GreNal, especialmente no lado tricolor, foram as atitudes extra-campo. O principal destaque, muito negativo por sinal, foi famoso “Caso Aranha”, quando setores da torcida do Grêmio foram flagrados gritando expressões racistas ou mesmo fazendo gestos racistas contra o goleiro do Santos, Aranha. E, com a intenção de escolher alguns, marcou-se o rosto de uma menina – que nem preciso dar o nome – e alguns rapazes. O que chamou e chama a atenção neste fato é que até o racismo foi grenalizado: se alguém, criticasse a atitude daqueles torcedores, era colorado e não porque era contra qualquer tipo de discriminação. Isso realmente impressionou: as pessoas defendendo o direito à ofensa racial a ponto de se ouvir/ler coisas do tipo: “Em estádio de futebol se pode tudo, até ofensa racial.” Não, não pode. E qualquer atitude racista, deve ser denunciada e exemplarmente punida.

    Setores de nossa valorosa e neutra imprensa correram para defender a “livre manifestação”. Meus caros amigos da imprensa: vocês estão errados. Muito errados. Preciso comentar um texto em especial: o jornalista Davi Coimbra, do alto de seu gremismo e no calor da discussão sobre  racismo da Geral, escreveu um texto intitulado “O Aranha e os bundinhas” (https://wp.clicrbs.com.br/davidcoimbra/2014/09/20/o-aranha-e-os-bundinhas/?topo=13,1,1,,,13) em que comenta o jogo seguinte entre Grêmio e Santos na Arena, no qual a torcida em sua totalidade vaiou, sempre que tocou na bola, o goleiro Aranha. A maior pérola do texto é “o Aranha não foi vaiado por ser negro. O Aranha foi vaiado porque se tornou protagonista de um episódio que prejudicou o Grêmio.” Não, Davi. Não distorça as coisas. O Aranha foi vaiado, de modo irracional pelo estádio inteiro, por ter denunciado o racismo. E mais, por não ter ficado calado ante as inúmeras tentativas de tornar o acontecimento “algo do jogo, algo da cultura do futebol, normal nos estádios.”

    Preconceito, discriminação e outras aberrações não podem ser divulgadas sob o argumento da liberdade de expressão. Até a liberdade de expressão tem limite: tu podes dizer o que bem entende? Pode sim, desde que, assumas aquilo que tu disseste. O que ninguém comenta é que as sucessivas direções do Grêmio sempre tomaram atitudes tímidas contra o racismo e sempre a posteriori.

    A torcida Geral do Grêmio sempre foi vista com muito bons olhos por grande parte da imprensa: exemplo de torcida é que sempre se diz. Depois do acontecimento racista, os líderes da torcida avisaram que “por enquanto, não usaremos o termo ‘Macaco’ em nossos cânticos”. Como? Por enquanto???     Não, amigos...vocês NÃO podem jamais usar este termo. Nem hoje, nem nunca.

    O racismo não pode ser aceito e nem tolerado sob nenhuma justificativa.